Entre os implicados com fraude estão as maiores empresas mundiais do mercado de pisos e móveis
Na manhã desta quarta-feira (10), o Instituto Observatório Social realizou o lançamento da 15ª ediío de Observatório Social Em Revista. A publicaío traz como matéria de capa uma grave denuncia que envolve gigantes dos ramos de beneficiamento e de comercializaío de madeira. Segundo a reportagem, milhares de metros cúbicos de madeira são retirados ilegalmente da Floresta Amazônica e transformados em produtos legalizados. Entre os envolvidos nesse esquema que movimenta milhões de dólares todos os anos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras.
A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa, Asia e Oceania, muitas delas detentoras de selos de certificaío de madeira. Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais estão implicados no esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, a norte-americana Lumber Liquidators e o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt.
Estiveram presentes na cerimônia de lançamento da revista representantes do setor público, de organizações sociais e ambientais, de embaixadas e consulados dos países implicados no esquema, de associações do setor madeireiro, jornalistas e representantes da sociedade civil. Segundo Jorge Abrahão, representante do Movimento Nossa São Paulo, entidade apoiadora do estudo, a principal contribuiío que a revista dará í sociedade será a mobilizaío dos diferentes setores para um grave problema social e ambiental. “Ações como a realizaío de uma reportagem tão densa como esta são fundamentais para a integraío de diferentes setores e para a mobilizaío da sociedade contra a degradaío do meio ambiente”, afirmou.
Cristina Spera, representante do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, que também apoiou a realizaío da reportagem, reforçou a ligaío existente entre degradaío ambiental e problemas sociais. Segundo ela, enquanto problemas ambientais como a destruiío da floresta amazônica não forem resolvidos, os problemas sociais envolvendo comunidades e trabalhadores continuarão se agravando. “í‰ necessário que se tenha iniciativas como a desta reportagem, que monitorou a cadeia da madeira. Esse monitoramento não é só papel dos órgãos públicos; deve ser um compromisso também das empresas e da sociedade. Tem que haver ações para monitoramento para se combater a corrupío e a impunidade.”
“Esse tipo de investigaío e de trabalho é fundamental para mudar o mercado, movimentar a cadeia e gerar resultados positivos, tanto em relaío í certificaío e manejo florestal quanto em relaío í s condições trabalhistas nessas localidades”, reforçou o representante da Imaflora, Maurício Voivodic. Segundo ele, a denúncia feita pela revista do Observatório Social desencadeou, pela primeira vez, uma aío de análise de como as empresas estão utilizando indevidamente a certificaío FSC como propaganda de sustentabilidade.
Amazônia em xeque
A 15ª ediío de Observatório Social em Revista também mostra como funciona o mercado interno ligado í destruiío da Amazônia, revelando quais empresas dos setores de madeira, carne e grãos tem vinculaío ou estão implicadas na compra de produtos oriundos de empresas com problemas ambientais ou envolvidas em trabalho escravo. Dentre as organizações, gigantes como Tramontina, ADM, Marfrig, Quatro Marcos e Metalsider.
A apuraío, que demorou nove meses, foi realizada por jornalistas do Observatório Social, da ONG Repórter Brasil e da Papel Social Comunicaío. Essa pesquisa foi uma iniciativa do Forum Amazônia Sustentável, do Movimento Nossa São Paulo e do Observatório Social.
No http://www.observatoriosocial.org.br/ a revista completa em PDF.