Projeto que regulamenta terceirizaío ainda não tem consenso na Câmara

Indústria considera proposta prioritária, mas trabalhadores temem efeitos negativos.

Pesquisa realizada pela Confederaío Nacional da Indústria (CNI) mostra que 54% das empresas industriais utilizam serviços terceirizados e 46% delas teriam sua competitividade prejudicada caso não fosse possível utilizá-los. Esse foi o motivo para que a entidade colocasse, entre os pontos fundamentais de sua agenda legislativa de 2014, a aprovaío da proposta (PL 4330/04) do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) que regulamenta a terceirizaío de mão de obra.
A proposta teve sua tramitaío marcada pela polêmica e, por diversas vezes, sua votaío na Comissão de Constituiío e Justiça e de Cidadania (CCJ) foi inviabilizada pela oposiío dos trabalhadores.
Os principais pontos questionados são a permissão para que toda e qualquer atividade seja terceirizada; a criaío de um sistema paralelo de sindicalizaío; e a liberaío da responsabilidade solidária da empresa tomadora, caso a empresa responsável não cumpra as obrigações trabalhistas.

Dep Vicentinho

O líder do PT, deputado Vicentinho (SP), declarou que seu partido considera a proposta muito ruim para os trabalhadores. Ele disse que isso é tão evidente que 19 dos 26 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), além da Associaío Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e do Ministério Público do Trabalho, já se manifestaram contra sua aprovaío. “í‰ um projeto que fragiliza as relações de trabalho, não assegura responsabilidade solidária”, disse Vicentinho.

Ilegalidade
O secretário de Finanças da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Moacir Pereira, concorda com o deputado Vicentinho. Para ele, a proposta prevê a intermediaío ilegal de mão de obra. Isso porque a empresa que contrata o serviço vai fazer a orientaío, a execuío e a supervisão do serviço. Moacir Pereira disse que os sindicatos são favoráveis í Â regulamentaío das atividades de prestaío de serviço, como limpeza e conservaío, que são inteiramente a responsabilidade da empresa que cede a mão de obra. Ele afirmou, no entanto, que a proposta simplesmente resultará na troca de mão de obra contratada diretamente por terceirizada. “í‰ prejudicial aos trabalhadores porque, quando você diz que pode terceirizar qualquer atividade, você está admitindo que as empresas podem não ter nenhum empregado”, afirmou.

Fiscalizaío
Moacir Pereira admitiu, porém, que a proposta resolve a questão da responsabilidade sobre o pagamento dos direitos
trabalhistas. Pelo projeto, a empresa que contrata os serviços deverá fiscalizar se as obrigações trabalhistas estão sendo cumpridas. Caso não o faça, poderá ser responsabilizada.

Proteío ao trabalhador 

Dep Arthur Oliveira Maia

Para o relator da proposta na Comissão de Constituiío e Justiça, deputado Arthur Oliveira Maia (SDBA), a proposta é a primeira iniciativa que protege o trabalhador terceirizado contra um mercado tomado por empresas frágeis. “Hoje, não existe nenhum tipo de exigência no Brasil para que uma empresa funcione como terceirizada. Uma empresa sem nenhuma estrutura pode absorver milhares de trabalhadores, fazer deles trabalhadores terceirizados para outras empresas, não recolher nenhum tipo de obrigaío trabalhista que ela tem para com esses trabalhadores. E, de repente, essa empresa desaparece, o dono desaparece, e quem fica com o prejuízo é o trabalhador”, disse Maia. A proposta aguarda apreciaío pela Comissão de Constituiío e Justiça.

Fonte: Agência Câmara