Mudanças no projeto da terceirizaío dividiram opiniões em Plenário

Deputados contrários í  emenda aprovada nesta quarta-feira levantaram carteiras de trabalho no Plenário, aos gritos de “não í  terceirizaío”. Para defensores do projeto, o texto aumentará a efetividade das empresas e garantirá os direitos dos trabalhadores terceirizados.

Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
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Em protesto contra a terceirizaío, deputados levantaram carteiras de trabalho.

Deputados fizeram discursos favoráveis e contrários í  proposta que regulamenta a terceirizaío (PL 4330/04). O texto aprovado nesta quarta-feira (22) manteve a possibilidade de terceirizaío da atividade-fim e diminuiu de 24 para 12 meses a quarentena que o ex-empregado de uma empresa deve cumprir para que possa oferecer serviços í  mesma empresa no âmbito de uma contratada de terceirizaío.

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) disse que muitos deputados votaram a favor do texto-base aprovado em 8 de abril e se arrependeram. “Ouvi muitos colegas que, após quererem regulamentar direitos de terceirizados, acabaram abrindo as porteiras para a terceirizaío de todos os 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada.”

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que a emenda piorou o texto-base. “Essa terceirizaío não é para regulamentar, é para ampliar total. Essa emenda embute a contrataío de toda e qualquer cooperativa. Isso é um retrocesso em relaío ao que prevê a legislaío trabalhista brasileira”, criticou.

Apesar disso, Guimarães disse que a aprovaío da emenda não foi uma derrota para o governo. A orientaío governista era pela rejeiío da emenda, que foi aprovada em Plenário por 230 votos a 203. “Acho que foi o momento alto, eu perdi a votaío, mas estou muito feliz porque cada um aqui expressou sua opinião”, disse.

Segundo ele, o governo se esforçou desde a última quinta-feira (16) para buscar um equilíbrio para a proposta não favorecer só empresários ou trabalhadores. “Houve um retrocesso”, afirmou Guimarães.

Além do PT, a emenda foi criticada por deputados do PCdoB, do PV, do PSB, do Pros, do Psol e do PDT.

Efeitos da proposta
O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a terceirizaío será a relaío trabalhista principal, em deterioraío da relaío direta entre empregado e empregador. “Há estudos que dizem que, daqui a cinco ou oito anos, teremos 75% do trabalho do Brasil terceirizado.”

Já o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) afirmou que a emenda ajudará o Brasil a enfrentar a reduío do crescimento econômico. “O Brasil precisa enfrentar o desemprego que vem chegando, precisa de produtividade, especializaío. A terceirizaío ajuda substancialmente.”

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que a emenda é melhor que o texto votado anteriormente por garantir a responsabilidade solidária em qualquer situaío. Nesse tipo de responsabilidade, o trabalhador pode processar tanto a empresa contratada quanto a contratante.

Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), o projeto aumenta a efetividade das empresas e preserva os direitos dos trabalhadores terceirizados.

Mais tributos
O relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA), disse que a regulamentaío vai ter uma melhoria no ambiente econômico porque garante maior segurança jurídica. “A lei dá segurança jurídica í  relaío de trabalho e dá aos trabalhadores a garantia dos direitos porque a responsabilidade é solidária”, disse.

De acordo com Maia, o governo somente se preocupou em garantir a arrecadaío federal com a regulamentaío dos terceirizados. “Em momento nenhum o governo nos procurou para tratar de atividade meio e fim ou as consequências para o trabalhador brasileiro. A grande questão foi saber se o projeto garantirá a arrecadaío do governo federal”, afirmou.

A emenda aprovada obriga a contratante a reter o equivalente a 20% da folha de salários da contratada, descontando da fatura, nos contratos de terceirizaío não sujeitos í  retenío na fonte de 11% da fatura – prevista na Lei 8.212/91 para serviços de limpeza ou segurança, por exemplo – ou í s alíquotas relativas í  desoneraío da folha de pagamentos.

O governo queria que, ao invés dos 20% sobre a folha de pagamento, fosse 5,5% sobre a receita bruta. “Isso acarreta aumento de carga tributária, e o povo não suporta mais aumento de impostos”, disse Maia.