Governo do Distrito Federal leva í  Justiça paralisaío dos professores

Greve segue até sexta-feira, em prejuízo a pelo menos 460 mil alunos da rede pública

Os professores decidiram em assembleia, na tarde de ontem, não comparecer í s aulas até que o Governo do Distrito Federal (GDF) apresente outra proposta para pagar os débitos referentes í s férias, ao 13º salário dos nascidos em dezembro e í  rescisão contratual de 6 mil contratados temporariamente. Segundo o GDF, não há como quitar, em uma única parcela, os atrasados sem os recursos da Antecipaío de Receitas Orçamentárias (ARO), aprovada na Câmara Legislativa. Seis bancos foram procurados para viabilizar o procedimento mas, até agora, apenas o Credit Suisse respondeu, recusando a operaío. Segundo o chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, o governo decidiu apelar ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios a fim de acabar com o movimento.

No fim da manhã de ontem, pelo menos 7 mil professores estavam na Praça do Buriti para participar da assembleia. Por volta das 12h, as seis faixas da N1, no Eixo Monumental, foram interditadas pela categoria e o trânsito foi desviado para o Tribunal de Contas do DF. As faixas permaneceram interditadas até as 14h e só foram liberadas após a votaío pela permanência da paralisaío. A situaío deixa 460 mil alunos da rede pública descobertos, uma vez que o início do ano letivo está suspenso por tempo indeterminado. A situaío atinge também outras profissões ligadas í  área, como as merendeiras, que planejam ir í s ruas, hoje, para cobrar as dívidas trabalhistas (Leia mais na página 20).

Marcada para as 10h, a votaío só ocorreu í s 13h30, uma vez que a comissão de negociaío do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) foi chamada, í s pressas, ao Palácio do Buriti para uma reunião. Da audiência, firmou-se um acordo, assinado pelo secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas, e pelo secretário da Casa Civil, Hélio Doyle. Entre os termos, o GDF se propôs a acelerar o trâmite da ARO para que a dívida, no valor de R$ 148 milhões, seja paga em março. Também se comprometeu em não cassar direitos dos professores. O último ponto foi levantado pelos docentes, que acusavam a existência de uma suposta proposta do governo, em trâmite na Câmara, pedindo a revogaío dos reajustes da categoria, que são de 5% em março e 5% em setembro. Segundo o GDF, não existe tal intenío.

Fonte: Correio Braziliense