QUAL í‰ A DO LULA?
Crônica de Arnaldo Jabour (áudio)
http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2009%2Fcolunas%2Fjabor_090821&OAS
Apesar dos Senadores do PT votarem a favor da salvaío de José Sarney, pois na visão deles e do Presidente da República e daquelas entidades sindicais de caráter e perfil mais governistas e não sindical, acharem correta, pois na visão e opinião deles, o importante no momento é garantir a governabilidade e impedir que a oposiío domine o Senado, resolvemos encaminhar a matéria abaixo para leitura, reflexão (pensem…) e fica a critério de cada um ao ler esta mensagem, emitir os comentários e/ou opiniões ou não.
Lula manda e o PT salva Sarney
Da redaío
• Lula selou o acordão para pôr fim í crise política que há meses estremece o Senado. Partiu dele a ordem para os senadores do PT salvarem Sarney votando pelo arquivamento definitivo das denúncias contra o presidente do Senado. O PT foi fundamental para que o Conselho de í‰tica tenha aprovado, na tarde desse dia 19, o engavetamento das denúncias.
Segundo a Folha de S. Paulo, uma reunião convocada por Lula horas antes da sessão do Conselho de í‰tica foi o determinante por “centralizar†os senadores petistas e fechar o voto do partido em favor de Sarney. A bancada vivia um dilema. Ideli Salvatti (PT-SC) e Delcídio Amaral (PT-MS) são candidatos ao governo de seus estados e não queriam se indispor com os eleitores.
Da mesma forma, o então líder do PT, Aloizio Mercadante (PT-SP) é candidato í reeleiío e temia o desgaste que adotar uma posiío pró-Sarney poderia provocar. O único senador do PT no Conselho de í‰tica disposto a votar em defesa do presidente do Senado era João Pedro (PT-AM), suplente e amigo de Lula. Mas não tinha jeito. O governo já havia assumido o acordão com a oposiío de direita: o arquivamento das denúncias contra Sarney em troca do fim das denúncias contra o líder tucano Arthur Virgílio (PSDB-AM).
O arquivamento das 11 denúncias contra Sarney venceu por 9 votos a 6. Na verdade, tratava-se já dos recursos contra o arquivamento dos pedidos de investigaío. PSDB e DEM ensaiaram um discurso indignado, mas não deu para esconder o acordão. Momentos depois da absolviío de Sarney, o Conselho de í‰tica aprovou também o arquivamento da denúncia contra Virgílio. Nem mesmo o PMDB, que protocolou a denúncia, aprovou seu desarquivamento.
Crise no PT
Para poder amenizar o desgaste da votaío, Ideli Salvatti pediu para o presidente da sigla, Berzoini, assinar uma nota “orientando†a bancada a votar em defesa de Sarney. Mercadante, porém, que defendia o desarquivamento de pelo menos uma denúncia, negou-se a ler publicamente a nota.
O senador Delcídio Amaral deu uma bronca pública em Mercadante em seu “twitterâ€. “Coisa feia Mercadante. Pela manhã assumiu, junto aos sen. João Pedro, Ideli que iria ler carta do pres. Berzoini (junto). Na coletiva negouâ€, escreveu Delcídio.
A decisão de Lula centralizar os senadores do PT, passando por cima dos interesses eleitorais individuais dos parlamentares, abriu uma grave crise no partido. Após profundo desgaste na bancada, Mercadante resolveu deixar a liderança do partido. Já o senador Flávio Arns (PT –PR) anunciou sua saída do partido, após ter afirmado sentir “vergonha†de ser do PT.
Arns, porém, esbanjou elogios ao senador Arthur Virgílio e negocia sua filiaío ao PSC.
Fora Sarney
O movimento pelo “Fora Sarney†cresceu nas ruas a partir da primeira onda de arquivamentos das denúncias. Pesquisa indica que 78% dos brasileiros defendem a saída do senador. Agora, com o acordão consolidado, a indignaío deve levar ainda mais pessoas í s manifestações.
A ONG Transparência Brasil, que monitora a política e divulgam dados como o financiamento de campanhas eleitorais, através de seu presidente Cláudio Abramo, disse í redaío, que para a sua entidade, o Senado vive uma “crise institucionalâ€. Em nota, a Transparência atesta que ainda que de modo difuso e de difícil mensuraío, é evidente que o eleitor brasileiro está perdendo a confiança no Legislativo, nos partidos políticos e no próprio princípio de representaío eleitoral.
Ocorreu uma grande onda de manifestações neste último sábado pelo Brasil em várias capitais, ou seja, protestos pelo “Fora Sarneyâ€.
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O significado da candidatura Marina Silva
O tabuleiro das eleições de 2010 se alterou drasticamente, com o convite do Partido Verde (PV) í ex-ministra Marina Silva para disputar a Presidência da República. O PT e o governo reagiram rapidamente. Senadores petistas tentaram fazer com que ela permanecesse no partido, sem sucesso. Em pouco tempo, todos já davam como certa sua candidatura a presidente. A novidade altera a eleiío, polarizada entre José Serra (PSDB), pela oposiío de direita, e Dilma Rousseff, como herdeira de Lula.
Com uma trajetória de esquerda e defendendo a causa ambiental, Marina pode ocupar um espaço decisivo. O PV estima obter ao menos 10% dos votos, grande parte no eleitorado de esquerda. Entre os que se desapontaram com Lula e os que apoiam o governo. Assim, a candidatura é um obstáculo para Dilma e um presente para a oposiío de direita.
Para a ex-ministra do Meio Ambiente, a tese de interferência do PSDB é teoria da conspiraío. O certo é que sua entrada contribui para garantir ao tucano um segundo turno. O PSDB agradece. Aécio Neves afirmou í imprensa que não descarta uma aliança com Marina: “se não for possível no primeiro turno, como nós gostaríamos, com certeza, no segundoâ€.
Ensaio geral
Há antecedente na manobra tucana. Nas eleições municipais no Rio e em São Paulo, candidaturas alternativas foram impulsionadas diretamente pelo PSDB. Em comum, posições ou trajetórias de esquerda, um perfil ético e independente, desvinculado de políticos tradicionais. Ocuparam espaço entre setores desiludidos com a política. Pela internet, conquistaram segmentos da juventude que provavelmente ignorariam a eleiío.
Em São Paulo, a vereadora Soninha Francine deixou o PT e se lançou pelo PPS. Com posições avançadas sobre drogas e aborto, retirou votos de Marta Suplicy (PT), derrotada por Gilberto Kassab (DEM). Admiradora de Serra, Soninha obteve 4% dos votos válidos.
Mas foi no Rio onde a fórmula tucana teve mais sucesso. Fernando Gabeira (PV) polarizou a cidade. Nem mesmo a coalizão com o PPS e o PSDB e o apoio do DEM no segundo turno impediram que fosse visto como representante da “esquerdaâ€. Por muito pouco não derrotou Eduardo Paes (PMDB), apoiado por Lula.
A trajetória de Gabeira confunde. Ex-guerrilheiro, fundador do PV, ex-petista, famoso por ousadias de comportamento e política, cultiva uma imagem de independência, que se encaixa como luva na estratégia tucana. í‰ como se flutuasse acima das estruturas dos partidos, sem se submeter aos caciques ou aos que financiam as candidaturas. Ilusão. Candidato ao governo do Rio, estará com Serra, mesmo com Marina candidata pelo PV. í‰ o preço do apoio tucano. Em São Paulo, Soninha integra a coalizão DEM-PSDB em uma subprefeitura.
Ilusões
Esse fenômeno é ainda maior com Marina, dona de uma trajetória de luta na floresta, ainda com Chico Mendes. í‰ tida como honesta, íntegra. í‰ mulher e disputa a Presidência, universo de ampla maioria masculina.
Possui ainda história de vida semelhante í de Lula: filha de retirantes, nascida no seringal no Acre, de infância pobre. Também de sobrenome “Silvaâ€, como Lula gosta de realçar.
í‰ provável que muitos trabalhadores olhem com expectativa para a ex-ministra. Que se agarrem a sua biografia, ignorando o restante.
Limites
Há enormes contradições, a começar pelo PV. O partido usa a defesa do meio ambiente para apresentar-se acima das classes, imune aos podres poderes da espécie humana. Todo partido está a serviço de uma das classes sociais. O PV está longe de ser um partido operário, de trabalhadores.
í‰ um partido burguês, que em cada estado serve a outro partido maior, como se fosse uma legenda de aluguel. E tem em sua direío Zequinha Sarney, filho do presidente do Senado, uma ligaío direta com o mais repudiado político brasileiro. Na Bahia, está com o PT. í‰ aliado ao DEM, com Kassab, e ao PSDB, nos governos de Serra e Aécio.
Lideranças do PV, como Alfredo Sirkis, ex-secretário de Cesar Maia, já falam em alianças para aumentar o tempo de TV. O nome para vice é o de Cristovam Buarque, do PDT, outro partido dos patrões e da Força Sindical.
Marina ministra
A imagem de Marina ao deixar o governo foi de alguém coerente, que não aceitou acordos com os que destroem a natureza. Mas não foi isso. Ela foi ministra durante as maiores agressões ao meio ambiente. O Brasil liberou os transgênicos e aprovou a transposiío do rio São Francisco, o que nenhum governo de direita tinha conseguido. Permitiu usinas no rio Madeira. O desmatamento na Amazônia foi recorde, com ampliaío da soja e do gado. As florestas foram privatizadas. Esses ataques í ecologia foram justificados e legitimados sob a tese do governo em disputa.
Não havia disputa. Ao permanecer como ministra, desde 2002, Marina prestou um papel lamentável – emprestou sua biografia, seu prestígio internacional a um governo que sempre esteve ao lado do agronegócio.
Seu balanço foi o de ter participado de ataques históricos ao meio ambiente e de um governo que destruiu a Amazônia como poucos. Ao ter permanecido tanto tempo, tornou-se cúmplice.
Utopia
A atuaío de Marina como ministra foi consequência de uma tese, a do desenvolvimento sustentável. Supõe um modelo em que as empresas respeitem os limites da natureza. Significa, na prática, limitar os lucros. Essa tese foi o carro-chefe de Lula. Eleito, prevaleceram os interesses das empresas.
A natureza do capitalismo, do lucro, se acentua na crise econômica. Da mesma forma que as empresas aumentaram a exploraío para manter a taxa de lucro, também aceleram a destruiío da natureza.
Há outras razões que tornam ainda mais utópica essa defesa – a forte presença das multinacionais e a dependência da economia brasileira. Essa é também a causa da pressa nas licenças das obras do PAC.
A defesa do mesmo programa do PT e do governo Lula, apostando na boa fé capitalista, levará a derrotas. Insistir nessa tese é enganar os trabalhadores. Os que falavam em ética hoje defendem Sarney como mal menor. Os que erguiam bandeiras ecológicas são os pragmáticos de hoje.
As empresas se apropriam da ecologia como marketing. A saída para a crise ambiental está nas mãos dos trabalhadores, com um programa socialista, contra empresas e governos. Sem um programa assim, o resto é utopia reacionária.
(Fonte: Agência BRASIL Gustavo Sixel)
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Planalto vai tirar Dilma de cena e reforçar sua blindagem
Ministra sai de férias em setembro, enquanto ministros e líderes do PT são escalados para responder í oposiío
Alvo de constantes estocadas da oposiío, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sairá de cena por no mínimo uma semana, em setembro, após o anúncio do marco regulatório do pré-sal, no próximo dia 31. As férias da ministra, pré-candidata do PT í Presidência, coincidem com a nova estratégia do Planalto para reforçar sua blindagem. A partir de agora, líderes do PT e do governo no Congresso, dirigentes petistas e até ministros ficarão responsáveis por uma espécie de “comitê” da pronta resposta na Esplanada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva constatou que Dilma continua “assoberbada” de trabalho e não pode mais acumular a gerência do governo com a coordenaío do Programa de Aceleraío do Crescimento (PAC), os projetos sobre o pré-sal e as atividades de campanha. O descanso foi sugerido pelos médicos logo depois que a ministra terminou, na semana passada, o tratamento de radioterapia para combater um câncer no sistema linfático.
Dilma está preocupada com o bombardeio na sua direío. Em reunião realizada na quarta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)- sede provisória do governo -, a ministra negou diante de colegas e dirigentes do PT que tenha feito qualquer solicitaío í então secretária da Receita Federal Lina Vieira. Demitida do cargo, Lina acusou Dilma de ter pedido a ela para “agilizar” investigações do Fisco sobre a família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Convocada pelo chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, para definir o roteiro que seria cumprido poucas horas depois pelo PT no Conselho de í‰tica, a fim de salvar Sarney, a reunião daquele dia também tratou da blindagem de Dilma. A avaliaío foi de que os ataques í chefe da Casa Civil vão crescer e é preciso protegê-la.
Dilma disse não entender por que Lina quis arrastá-la para nova crise. “Eu nem sabia que ela seria demitida”, afirmou. Para o Planalto, o depoimento de Lina í Comissão de Constituiío de Justiça do Senado, na terça-feira, exibiu uma mulher “contraditória e evasiva”, que não conseguiu provar as acusações.
Mesmo assim, o governo está convencido de que é necessário tomar providências para evitar que a oposiío cole em Dilma o carimbo de “mentirosa”. A ordem é partir para o confronto e, se o alvo for relacionado a alguma medida administrativa, comparar com a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
“Faz tempo que nossos adversários querem desconstruir a imagem da Dilma”, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). “Quem tem de fazer o contraponto na política somos nós, e não ela.”
Um ministro disse ao Estado que os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas), pré-candidatos do PSDB í sucessão de Lula, também escalam secretários para a contraofensiva, quando não querem mexer em vespeiros. Seu argumento é: por que Dilma tem de pôr a cara para bater antes da campanha?
Lula quer que a concorrente do PT apareça apenas em agendas positivas, como o anúncio do novo modelo de exploraío do petróleo, daqui a oito dias. O Planalto vai transformar o pré-sal em trunfo político da campanha de 2010 e prepara grande cerimônia, salpicada de verde e amarelo, para anunciar as medidas. Dilma será a estrela da solenidade, mas não deverá comparecer í festa do 7 de Setembro, pois planejou seu descanso para esse período.
DEBANDADA
Embora tenha dito que pretende trocar a maioria dos ministros que disputarão eleições por secretários executivos, Lula não aplicará essa regra na Casa Civil. “A eleiío vai desmontar uma parte da equipe, mas o palácio eu não vou desmontar”, avisou o presidente.
Para a vaga de Dilma, o mais cotado, até agora, é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e não a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Gilberto Carvalho e os ministros Franklin Martins (Comunicaío Social) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) também continuarão em seus postos e vão integrar o time da defesa de Dilma. O ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu exercerá a mesma funío, por meio de seu blog.
Em conversas reservadas, logo que foi informada sobre sua doença, Dilma admitiu a possibilidade de deixar o cargo em janeiro de 2010, para fazer campanha, caso seu tratamento a impedisse de conciliar as atividades. Lula a convenceu a mudar de ideia, sob a alegaío de que o governo é “uma vitrine”. O plano do presidente é liberar os candidatos da Esplanada em 3 de abril, prazo fixado pela Lei Eleitoral. Dos 35 ministros, 17 querem entrar na corrida de 2010.
Objeto do desejo do PT e também do PMDB, a cadeira do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro – que está de malas prontas para o Tribunal de Contas da União (TCU) -, pode ser ocupada pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP). Lula só não bateu o martelo ainda porque espera o julgamento de Palocci pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira.
Ex-ministro da Fazenda, Palocci é acusado de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O governo confia na sua absolviío. Se isso ocorrer, o ex-homem forte da economia será reabilitado. No xadrez político de Lula, Palocci tanto pode ser o articulador do Planalto, no lugar de Múcio, como candidato do PT ao governo de São Paulo, caso o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) insista na ideia de disputar a Presidência, e não o Palácio dos Bandeirantes.
(Fonte: jornal O Estado de São Paulo, 23/08/09)
José Augusto da Silva Filho
Coordenador Nacional