Vice-líder do governo ressaltou que discurso de Joaquim Levy propõe ações para preparar a retomada do crescimento. Já o líder do DEM diz que maior desafio é a falta de credibilidade do governo.
Parlamentares comentaram o discurso do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que assumiu o cargo nesta segunda-feira (5). Levy não descartou, por exemplo, a possibilidade de reajuste de impostos. “Possíveis ajustes em alguns tributos serão considerados, especialmente aqueles que tendam aumentar a poupança doméstica e reduzir desbalanceamentos setoriais da carga tributáriaâ€, afirmou Levy. Ele não adiantou, porém, quais impostos poderão ser reajustados nem valores de possíveis aumentos. O ex-ministro Guido Mantega não participou da cerimônia.
Joaquim Levy anunciou a possibilidade de aumento de impostos.
O foco do discurso de Levy foi conseguir o equilíbrio fiscal para a retomada do crescimento da economia. “O equilíbrio fiscal é indispensável para continuarmos no exitoso caminho de ampliarmos as oportunidades, especialmente para os mais jovens. Ele é a chave para a confiança e para o crédito.â€
Segundo o ministro, o equilíbrio deve vir com “disciplina†nos gastos públicos, entre outros mecanismos.
Ajuste iniciado
De acordo com Levy, o ajuste fiscal já começou, citando a alteraío dos juros dos créditos concedidos pelo BNDES e as medidas provisórias que mudam as regras para pensões por morte e para concessão do seguro-desemprego. “A gente começou esse ajuste pelo lado do gasto, não tem como começar pela receitaâ€, disse o ministro.
No último dia 30, o Executivo editou duas medidas provisórias (664 e 665) que atingem principalmente a concessão da pensão por morte e o seguro-desemprego. A expectativa é que as medidas gerem uma economia de R$ 18 bilhões em 2015.
O ministro defendeu também a simplificaío de tributos, em especial na área de investimentos, para alavancar o mercado de capitais e o financiamento interno. Outro tema tratado foi a reforma do ICMS para tentar desestimular a guerra fiscal. “O ministério colaborará com o esforço da Federaío e do Senado em harmonizar o ICMSâ€, disse.
A equipe econômica anunciada pelo novo ministro inclui Jorge Rachid no comando da Receita Federal e Marcelo Saintive na Secretaria do Tesouro.
Sensibilidade
Para o vice-líder do governo deputado Hugo Leal (Pros-RJ), o discurso de Levy foi coerente ao propor ações preventivas para preparar a economia para retomar o crescimento. Na opinião de Leal, que acompanhou a cerimônia, o Congresso precisa ter sensibilidade para não “desvirtuar†as medidas de ajuste da economia.
“A sensibilidade da Casa vai ser essencial para que essa medida não seja desvirtuadaâ€, afirmou Hugo Leal.
Segundo o deputado, as medidas de ajuste fiscal que deverão ser tomadas pela equipe econômica comandada por Levy seriam necessárias independentemente de quem ganhasse a eleiío presidencial.
Sem credibilidade
Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), o grande desafio do ministro e da equipe econômica é a falta de credibilidade do governo Dilma, que “jogou a economia na estagnaío econômica, na inflaío altaâ€.
Segundo ele, a oposiío está disposta a ajudar o Brasil a resolver o impasse nas contas públicas. Mendonça disse que haverá disputa se houver medidas de aumento de impostos e retirada de direitos trabalhistas.
“Do lado da oposiío, o ministro pode contar com a disposiío para a gente ajudar o Brasil a sair desse impasse. Só que ele não vai contar com duas coisas: retirar direitos dos trabalhadores e aumentar a carga tributáriaâ€, disse Mendonça Filho.
Agência Câmara Notícias
