Decisão do TST sobre greve de 2018 não desmobiliza eletricitários, afirma Chicão

Os eletricitários vão se manter mobilizados contra a privatização da Eletrobras e avaliam realizar uma grande convenção para definir os próximos passos do movimento. “Os trabalhadores ficaram indignados com a sentença do Tribunal Superior do Trabalho que considerou abusiva a greve realizada em junho de 2018 pelos funcionários contra a privatização”, critica Eduardo Annunciato, o Chicão, presidente do Sindicato da categoria em SP e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente.

“Não foi surpresa a decisão do TST devido à visão extremista e direitista que afeta hoje o País. A leitura que fazemos é que representantes de vários setores, como governo, Justiça e empresários, tentam criar situações para desmotivar o trabalhador a lutar pelos direitos. Mas a mobilização continuará. O governo pode se dar por satisfeito porque só fizemos uma greve. No futuro, o que pode ocorrer é a gente apagar a luz. Se isso acontecer, aí vai ficar ruim mesmo”, afirma.

Chicão elogia o relator do processo no TST, ministro Maurício Godinho Delgado, que teve posição diferente da tomada pela sessão de dissídios coletivos. O ministro considerou que a motivação dos empregados para a paralisação teve relação direta com a garantia do emprego. A decisão do TST abre jurisprudência para julgamentos semelhantes, ele alerta.

Histórico – “Aquela manifestação foi feita”, conta Chicão, “porque estávamos contra a privatização. Sabíamos da possibilidade da paralisação ser considerada ilegal, devido à irracionalidade do TST e por causa da onda extremista”.

Segundo o sindicalista, Wilson Ferreira Júnior continua na presidência da estatal preparando a privatização. “Ele conduziu a privatização da CPFL e demitiu em massa lá. Os trabalhadores da Eletrobras sabiam disso e fizeram a greve de junho de 2018 em defesa do emprego”, argumenta.

A Eletrobras emprega 100 mil trabalhadores diretos e indiretos em todo o Brasil.

Fonte: Agência Sindical