Por Artur Bueno de Camargo
Presidente da Confederaío Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentaío e Afins (CNTA Afins) e vice-presidente da Federaío dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentaío do Estado de São Paulo (Fetiasp)
 Nos meus 35 anos de atuaío no movimento sindical, nunca combati as gestões das empresas que trabalham com o objetivo de inovar, investir em tecnologia e obter lucro.  Entendo que por termos um sistema capitalista, é normal que todo investimento do empresariado seja voltado para a obtenío de lucros. Mas o que não podemos admitir é que as empresas façam investimentos em tecnologia em detrimento do emprego, sem nenhuma contrapartida social, e adotem políticas de gestão para obterem lucros a qualquer custo, sem medir as consequências sociais.
Vamos exemplificar citando dois setores da categoria da Alimentaío: o setor de frigoríficos (com mais de 400 mil trabalhadores no Brasil e com grandes grupos que investem pesadamente em marketing de produtos e marcas de carnes, embutidos e outros); e o setor de bebidas (com mais de 177 mil trabalhadores no Brasil, também com grandes grupos que investem em propaganda pesada de produtos e marcas de cervejas, refrigerantes, sucos, água, entre outros). O leitor poderia perguntar: e daí se a empresa quer investir em propaganda?
Acontece que vários grupos destes setores que gastam milhões em marketing, buscam financiamentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investir em suas empresas. E são verbas da sociedade, e não tem nenhuma contrapartida em benefício social. Apesar de o movimento sindical estar em constante cobrança destes grupos para melhorar as condições de trabalho, com maior investimento na segurança e saúde do trabalhador, a resistência é enorme. Eis alguns dados para conhecimento dos leitores:
De acordo o Ministério da Previdência Social (MPAS), entre 2010 e 2012, foram registrados 61.966 acidentes no setor de frigoríficos, com 111 mortes no mesmo período. Já o número de auxílios-doença acidentários concedidos entre 2010 e 2012 foi de 8.138. Neste setor, depois de muita luta, conseguimos viabilizar uma Norma Regulamentadora e estamos encontrando dificuldades para que esta seja aplicada. Já no setor de bebidas, entre 2010 e 2012, foram registrados 16.848 acidentes no setor, com 42 mortes no mesmo período.
Estamos discutindo com a Confederaío Nacional da Indústria (CNI) formas para reduzirmos esses números exorbitantes. Não podemos esquecer que acidentes e doenças, além de causar traumas, têm um custo altíssimo e quem paga é a sociedade, através da Previdência Social. Por isso, precisamos cobrar dos detentores do capital, menos ganância e mais responsabilidade social.
17 de Abril de 2014