Analistas desafiam diretor do BC a mostrar como inflaío cairá a 4,5% em 2016

Economistas e analistas do mercado financeiro do Rio de Janeiro desafiaram nesta quinta-feira, 19, o novo diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira da Silva, a explicar de forma clara e cabal como a autoridade monetária conseguirá fazer a inflaío convergir para o centro da meta, ou 4,5%, em 2016.

Esta foi a primeira reunião de Awazu com analistas do mercado financeiro como diretor de Política Econômica, cargo que passou a ocupar no último dia 5 de fevereiro em substituiío ao antecessor Carlos Hamilton Araújo, que deixou a instituiío.

Estes encontros acontecem a cada três meses e servem para que a autoridade monetária colha as impressões dos analistas em relaío í  atividade econômica, inflaío e cenário internacional. As informações são usadas para auxiliar o BC na redaío do Relatório Trimestral de Inflaío (RTI).

Os analistas foram para cima de Awazu alegando que não acreditam na possibilidade de a autoridade monetária levar a inflaío para 4,5% no próximo ano. Eles disseram que, se de fato o BC acredita que pode fazer com que a inflaío convirja para este nível, a instituiío precisa demonstrar de forma convincente como isso será feito.

Segundo um economista que participou do encontro, desta vez não houve, entre os analistas, fortes discussões, numa sinalizaío clara de que todos estão convictos que o ano de 2015 será bastante difícil para a economia brasileira.

“Está todo mundo extremamente pessimista com a atividade e preocupado com a inflaío. Inclusive muitos não acreditam que a meta de 4,50% será alcançada em 2016”, contou, acrescentando que a mediana das projeções deste encontro para a inflaío em 2015 ficou na faixa de 7,30%, na comparaío com 6,56% na reunião passada, ocorrida em novembro. Para 2016, disse a mesma fonte, a previsão passou de 5,61% para 5,57%.

“Pediram mais transparência na comunicaío, a fim de saberem o quão a meta é crível de ser atingida, já que há vários choques de oferta”, disse. “Querem que o BC aprofunde mais o assunto no próximo RTI”, reforçou outro participante do encontro.

Em relaío í  atividade econômica, a percepío entre os analistas é de que o Produto Interno Bruto (PIB) fechará 2014 no campo negativo. A estimativa passou de um crescimento de 0,8% para recuo de 0,20%.

PIB.

 

Awazu ouviu ainda dos analistas que não se pode descartar o risco de uma queda mais intensa do PIB. Para eles, o declínio será acima de 1%, podendo encostar em 1,5% se for efetivado o racionamento de energia e também por causa de recuo nos investimentos, em razão da Operaío Lava Jato.

“Sem dúvida, tudo isso deve pesar na atividade. Ainda há receio em relaío ao impacto da atual situaío da Petrobrás sobre o crédito no Brasil. Ninguém sabe ao certo o impacto dessas variáveis sobre o PIB. í‰ muito difícil de prever. Por isso, as estimativas ainda estão com quedas menos significativas”, afirmou.

Segundo a fonte, os economistas também não demonstraram muita confiança no cumprimento da meta de superávit primário deste ano, de 1,2% do PIB, a despeito de concordarem que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é capacitado para o cargo e que ele está no caminho certo para ajustar as contas brasileiras.

Levy, para os agentes, demonstra que a meta é factível. No entanto, os economistas disseram ao BC que têm dúvidas quanto a realizaío do superávit primário proposto para este ano. “A conjuntura não ajuda. Temos uma atividade que deve ceder. Além disso, o governo pode ter dificuldades no Congresso”, analisou.

“O Levy foi elogiado, mas não existe uma crença no primário. O ponto de partida é muito difícil”, corroborou outro economista. As expectativas dos agentes para o superávit primário, como disseram as fontes, estão na faixa de 1% do PIB para 2015.

Nesta sexta-feira, Awazu participará de três reuniões com analistas do mercado financeiro na capital paulista. Estes encontros estavam inicialmente previstos para os últimos dias 11, em São Paulo, e 12, no Rio. Foram transferidos para esta quinta-feira e amanhã porque na semana passada o novo diretor de Política Econômica já tinha compromissos agendados na Turquia.

Fonte:Estadão