Governo define regras para adesão ao Programa de Proteío ao Emprego

 

Ministro do Trabalho assinou resoluío de programa que tenta conter demissões. Critério leva em conta proporío de trabalhadores demitidos sobre o total de empregados

O Ministério do Trabalho divulgou nesta terça-feira as exigências para que as empresas que pretendem aderir ao Programa de Proteío ao Emprego (PPE) comprovem situaío de dificuldade econômica para se habilitarem. Para tanto, será preciso que o porcentual definido pela diferença entre admissões e desligamentos nos doze meses anteriores ao pedido de adesão em relaío ao estoque de empregados seja igual ou inferior a 1%. Na prática, isso significa que todas as empresas que no período já tiverem efetuado mais demissões do que contratações estarão aptas a ingressar no programa.

A adesão começará a valer a partir da publicaío no Diário Oficial de resoluío assinada nesta terça-feira pelo ministro do Trabalho, Manoel Dias. A expectativa é que isso ocorra na quarta-feira. Em coletiva, Dias afirmou que o PPE é uma aposta do governo e que “o momento está merecendo um programa deste porte”. Ainda segundo Dias, “o Brasil vive dificuldades e pode enfrentá-las com facilidade”.

 

O secretário-executivo da Presidência da República, Laudemir André Mí¼ller, destacou que o governo quer estender o PPE í s empresas que ainda estão gerando empregos líquidos – por isso o limite positivo de até 1%. “Queremos oferecer o PPE antes que as empresas demitam, antes que elas entrem numa rota negativa”, disse.

Também presente na coletiva, o presidente da associaío de montadoras de veículos, Anfavea, Luiz Moan, saudou a iniciativa do governo, que classificou como moderna, e lembrou que o limite de 1% definido para calcular a situaío de dificuldade econômica já contempla todas as montadoras no país.

O MTE simulou uma situaío em que a empresa pode aderir ao programa. Se, nos últimos doze meses, ela contratou 100 trabalhadores e demitiu 120, teve uma geraío negativa de vinte postos de trabalho. Ao dividir esse número (-20) pelo estoque de 1.000 trabalhadores, o indicador será -2%, habilitando a participaío. Na prática, uma empresa com 100 trabalhadores, que contratou dez e demitiu nove nos últimos doze meses, poderá participar do programa.

O estabelecimento do limite é uma forma de impedir que empresas que não estejam em situaío tão difícil também aproveitem os benefícios do programa.

Programa – O PPE foi lançado pelo governo no início do mês com a assinatura de Medida Provisória pela presidente Dilma Rousseff permitindo a reduío da jornada de trabalho e dos salários em até 30%, com uma complementaío de 50% da perda salarial bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A medida impede demissões em empresas de setores considerados estratégicos que aderirem ao PPE durante o período de vigência – que vai de 6 a 12 meses – e obriga a manutenío do vínculo por mais um terço desse tempo após o fim do programa.

A criaío do PPE se dá num momento de visível deterioraío do mercado de trabalho no país, com impacto direto sobre a atividade econômica. Em junho, o Brasil fechou 111.199 vagas formais de trabalho, no pior resultado para o mês desde pelo menos 1992. No semestre, a demissão líquida chegou a 345.417 trabalhadores, segundo dados com ajuste do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

(Com Reuters)

Tire algumas dúvidas sobre o programa:

Com a reduío de salário, como fica a contribuiío ao INSS e ao FGTS? As alíquotas de ambas as contribuições incidirão sobre o salário reduzido. Portanto, a contribuiío patronal também sofre reduío proporcional.

O governo vai complementar igualmente todos os salários? Não. O teto da complementaío pelo governo é de 900,84 reais, que equivale a 65% do benefício máximo pago pelo seguro-desemprego. Isso significa que os salários altos poderão sofrer reduío maior. Veja o quadro com algumas simulações.

As empresas que aderirem ao programa podem demitir? Não durante a vigência do programa. As adesões duram seis meses e podem ser prorrogadas sucessivamente até o fim de 2016. Depois do fim da adesão, a empresa tem de permanecer os dois meses seguintes sem demitir ninguém.

Qualquer empresa pode aderir? Não. í‰ preciso que seja comprovada a dificuldade financeira da companhia e que haja um acordo coletivo com os funcionários, chancelando a adesão.

Quanto o programa custará ao governo? O governo fez uma simulaío estimando que o programa custará pouco mais de 100 milhões de reais aos cofres públicos caso 50.000 trabalhadores com salário médio de 2.200 reais sejam enquadrados. Contudo, ainda não há perspectivas sobre o impacto real. O governo defende a proposta afirmando que gastará menos com a complementaío dos salários do que gastaria se pagasse o seguro-desemprego ao mesmo número de demitidos.

Salário

Fonte: VejaÂ