Sindicatos e movimentos sociais pedem adiamento da votaío do novo Código de Mineraío

A principal queixa de trabalhadores, comunidades atingidas e ambientalistas é que o setor produtivo teve mais espaço nos debates realizados até o momento no Congresso Nacional.

 
Representantes de entidades sindicais e de movimentos sociais ligados í  mineraío cobraram nesta terça-feira (5), em seminário na Câmara dos Deputados, o adiamento da votaío do projeto de lei que cria um novo marco regulatório para o setor mineral no País (PLs 5807/13 e 37/11 e apensados).

 
A principal queixa de trabalhadores, comunidades atingidas e ambientalistas é que o setor produtivo teve mais espaço nos debates realizados até o momento no Congresso Nacional. “Hoje a nossa preocupaío não é apenas com questões trabalhistas, mas sim com um modelo de desenvolvimento que permita ganhos a toda a sociedade brasileira”, disse o representante da Confederaío Nacional dos Químicos (CNQ), Rosival Araújo, que falou também em nome da Central íšnica dos Trabalhadores (CUT).

 
Segundo Araújo, tanto o projeto original quanto o substitutivo apresentado pelo relator na comissão especial, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), precisam avançar na participaío popular e na democratizaío da mineraío. “Não queremos só aumentar o lucro do capital e acabar contribuindo para o desenvolvimento desordenado do Brasil. Nós queremos que o cidadão brasileiro possa usufruir desse grande bem nacional, que não é só do governo ou dos empresários”, completou.

 
Votaío até maio
O substitutivo de Quintão foi apresentado na legislatura passada, mas o texto não chegou a ser votado í  época. Reconduzido ao posto, ele anunciou que espera votar a matéria até o final de maio.

 
O texto do relator manteve dispositivos da proposta original encaminhada pelo Executivo, como a criaío da Agência Nacional de Mineraío (ANM), em substituiío ao Departamento Nacional de Produío Mineral (DNPM).

 
Quintão também manteve a criaío do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), órgão de assessoramento superior da Presidência da República, responsável por formular politicas públicas e incentivar investimentos privados no setor mineral.

 
Em relaío ao aumento das alíquotas da Compensaío Financeira sobre Exploraío Mineral (CFEM) – uma espécie de royalties pagos a estados e municípios mineradores, o relator optou por definir os percentuais no texto, ao contrário do texto do Executivo, segundo o qual as alíquotas seriam definidas posteriormente, por decreto. No texto do relator, as alíquotas da CFEM poderão variar entre 0,2% e 4%. Atualmente, a alíquota da compensaío varia de 1% a 3%.

 
Questões econômicas X questões sociais
Maria Júlia Gomes Andrade, que representou no seminário o Movimento dos Atingidos pela Mineraío (MAM), também considera que o projeto de novo código é um “retrocesso” por se concentrar principalmente em questões econômicas. “A mineraío não são só as empresas. Mexe com a soberania nacional, envolvem trabalhadores, comunidades atingidas. O debate não é só a alíquota da CFEM e nem a criaío da agência reguladora do setor”, disse ela.

 
A representante do MAM não considera legítima a participaío de Quintão como relator. “Não consideramos legitimo que uma pessoa cuja campanha tenha sido financiada por mineradoras seja o relator da proposta de novo código de mineraío”, acrescentou Maria Júlia.

 
Além disso, para ela, o relator erra ao argumentar que já existe legislaío trabalhista e ambiental e que, portanto, isso não precisa ser tratado no novo código de mineraío. “Precisamos de legislaío especifica sim”, finalizou.

 
Para a deputada Benedita da Silva (PT-SP), a iniciativa de adiar a votaío do projeto de novo código de mineraío faz sentido. â€œí‰ preciso dar ouvido a esses movimentos sociais que vêm aqui dizer que há necessidade de mais tempo para ouvir todos os interessados”, afirmou.

 
Também presente ao 1º Seminário Nacional Marco Legal da Mineraío Brasileira, o representante do MAM no Pará, Charles Trocate, concorda que a taxaío da mineraío no Brasil é uma das mais baixas do mundo e que as alíquotas precisam ser revistas.
No entanto, segundo ele, o texto precisa especificar como as regiões de mineraío vão se beneficiar com as novas alíquotas. “Do contrário, isso vai apenas aumentar as desigualdades sociais no País, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste”, disse.

 
O seminário sobre Marco Civil da Mineraío promovido pela Comissão de Legislaío Participativa prossegue nesta quarta-feira (6), das 9 í s 18 horas, no plenário 3.

 
Fonte: Agência Câmara