Dilma debate pauta trabalhista e situaío de trabalhadores da Petrobras Roberto Stuckert Filho/PR

Ao se encontrar com presidentes de centrais sindicais nesta segunda-feira (8), a presidenta Dilma Rousseff se comprometeu a manter uma mesa permanente de conversa com os representantes dos trabalhadores, a partir de janeiro, e disse que vai manter a política de valorizaío do salário mínimo. Segundo eles, a presidenta disse que pretende enviar proposta ao Congresso, ainda este ano, corrigindo a tabela do Imposto de Renda, e vai conversar com a Petrobras sobre os pagamentos dos funcionários de empreiteiras envolvidas na Operaío Lava Jato, da Polícia Federal.

 
De acordo com Miguel Torres, presidente da Força Sindical, a ideia sugerida a Dilma é que a Petrobras pague í  Justiça do Trabalho os salários e a indenizaío dos trabalhadores, para que eles não fiquem sem receber, caso as empreiteiras deixem de honrar seus compromissos. “O que nós temos, primeiro, é que garantir o direito dos trabalhadores”. As centrais pretendem contatar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para aclarar o assunto.

 
Segundo ele, 6 mil trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima, em Recife, estão sem salário há dois meses. Miguel informou também que mais de mil trabalhadores foram demitidos no Rio Grande do Sul. Ele disse que qualquer obra dessas que parar agora vai deixar muitos trabalhadores na rua. “Não estamos aqui querendo acobertar, tem que punir. [Mas] que puna quem realmente tem que ser punido”, ressaltou.

 
Sobre a tabela do Imposto de Renda, Dilma prometeu encaminhar ao Congresso medida que reposicione a correío, informaram os sindicalistas. Neste ano, em pronunciamento pelo Dia do Trabalhador, a presidenta declarou que corrigiria a tabela. Logo depois, enviou uma medida provisória ao Parlamento com o percentual de 4,5% de correío, mas que, por não ter sido votada no prazo, perdeu a validade.

 
“Nos últimos oito anos é 4,5% [a correío]. Então, não atinge a inflaío, e está aumentando a defasagem, as perdas estão muito grandes. Queremos que aumente com a inflaío, no mínimo, e tenha um plano que recupere”, avaliou Miguel.

 
Os representantes de centrais sindicais disseram que a presidenta não se comprometeu com um percentual específico. Eles esperam, no entanto, um percentual maior, já que a inflaío deste ano vai fechar próxima ao teto da meta, de 6,5%. Vagner Freitas, presidente da Central íšnica dos Trabalhadores, disse não ter uma proposta fechada para
uma nova fórmula de correío, mas ela deve ser aperfeiçoada.

 
“Reivindicamos que continue o processo de proteío ao salário mínimo, programa que foi questionado por economistas conservadores há um tempo atrás, dizendo que o aumento do salário causa inflaío. A presidenta levou essa reivindicaío e vai se pronunciar sobre isso brevemente”, informou Vagner, segundo quem o “debate” de que a manutenío de emprego e de valorizaío dos salários foi ganho junto í  presidenta.

 
Apesar das reivindicações, o discurso unificado dos representantes de seis entidades sindicais após a conversa foi o de que Dilma está disposta a se reunir periodicamente, nos próximos meses, com as centrais sindicais. “O que acho que foi bom é que ela garantiu uma mesa permanente no ano que vem”, disse Miguel, adiantando que em janeiro será feito um calendário de reuniões, começando pela política de valorizaío do salário mínimo no primeiro trimestre.

 

Fonte: Portal EBC