Reduío de jornada de trabalho, de 44 para 40 horas, ganha força no Congresso
A proposta de reduío da jornada máxima de trabalho, no país, de 44 para 40 horas, sem corte nos salários, ganha força no Congresso Nacional e alimenta a esperança do trabalhador brasileiro de alcançar essa grande conquista. A avaliaío é do movimento sindical nacional, especialmente as centrais sindicais (Força Sindical, CUT, CTB, CGTB, CONLUTAS, NCST…) que estão unidas nessa luta, informa José Lucas da Silva, coordenador geral do Fórum Sindical dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul – FST/MS e membro das diretorias da Força Sindical MS e CNTC (Confederaío Nacional dos Trabalhadores no Comércio).
“Cresce a cada dia a conscientizaío das autoridades, especialmente dos parlamentares, da importância dessa proposta tanto para geraío de novos empregos como de melhoria da qualidade de vida de nossos trabalhadoresâ€, afirma José Lucas que tem acompanhado em Brasília toda movimentaío em torno dessa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, dos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda (PCdoB/CE).
A PEC 231/95, segundo José Lucas, também prevê o aumento do valor da hora extra de 50% do valor normal para 75%, mas mantêm as demais regras contidas na Constituiío Federal: jornada diária máxima de oito horas e possibilidade de compensaío de horários e de reduío de jornada mediante acordo ou convenío coletiva de trabalho.
De acordo com José Lucas, ultimamente o assunto tem sido bastante discutido não só pelo legislativo mas também pelo próprio Governo, que tem participado de audiências públicas. A igreja, através da CNBB também já demonstrou simpatia í proposta, formalizando apoio í reduío da jornada para 40 horas semanais. “Essa mudança é uma tendência em raío das transformações do mundo do trabalhoâ€, comentou o coordenador do FST/MS.
Para o sindicalista, a medida, além de garantir melhores condições de vida para o trabalhador brasileiro, vai fazer diminuir o risco de acidentes de trabalho e moléstias funcionais. “Isto sem contar com as inúmeras oportunidades de novos empregosâ€, comenta José Lucas lembrando que a reduío de jornada de trabalho, na realidade, vem sendo discutida há mais de 15 anos no Brasil. Ele não tem dúvida de que chegou, de fato, o momento apropriado para finalmente aprovar essa idéia.
José Lucas informou também que projeções do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a medida poderá gerar em torno de 2,2 milhões de novos postos de trabalho no Brasil. “Conforme a instituiío, também poderá haver diminuiío da informalidade e crescimento do consumo, o que levaria ao aumento da produíoâ€, afirmou.
AUDIíŠNCIA PíšBLICA
O ministro do TST Maurício Godinho Delgado defendeu em audiência pública esta semana a reduío da jornada de trabalho para combater os efeitos da crise econômica mundial.
O deputado Vicentinho (PT/SP), relator da Proposta, antecipou na terça-feira que vai propor a aprovaío da medida. “A mudança vai gerar dois milhões de empregos. Será um salto de qualidade extraordinário”, disse.
“Estou convencido de que a introduío de novas tecnologias no processo produtivo não pode favorecer apenas os grupos econômicos, mas fundamentalmente o que é mais importante em todo o sistema, que é o ser humano”, reforçou, ao final de audiência pública promovida pela comissão especial que analisa a proposta.
Vicentinho salientou que há uma concentraío de acidentes de trabalho ao final da jornada ou durante expediente extraordinário. Portanto, segundo ele, encurtar o período em que o profissional fica í disposiío da empresa é uma medida que extrapola o aspecto econômico.
Na maioria dos países, e também no Brasil, foi através da luta sindical que os trabalhadores conquistaram sucessivas reduções da jornada de trabalho até chegar aos patamares atuais. No início do capitalismo, com a inexistência de legislaío trabalhista, a exploraío do trabalho se dava por meio de salários muito baixos, jornadas de trabalho muito longas e da utilizaío habitual de crianças na produío com remuneraío bem menor que a de adultos. A quantidade de horas diárias tendia a se estender até o limite da capacidade humana, atingindo quase sempre 15 a 16 horas de trabalho. í€ medida que a classe trabalhadora se organizou e conquistou melhorias nas condições de trabalho e reduío do tempo de trabalho, os trabalhadores passaram ter suas conquistas garantidas por leis que limitam a jornada. Wilson Aquino – Click News