Liberar FGTS não garante empregos, alerta presidente dos Economistas

 

A MP 889, que libera R$ 500,00 ao trabalhador, de sua conta no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, continua a gerar polêmica. Sindicalistas apontam “pegadinha”, uma vez que o saque de R$ 500,00, agora, bloquearia o saque total em caso de dispensa futura.

A Agência Sindical continua a ouvir especialistas. Na última sexta (26), entrevistamos Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. O FGTS tem, hoje, em torno de R$ 500 bilhões. A liberação proposta poderia chegar a R$ 30 bilhões.

Não multiplica – Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo. Ele pondera: “Dinheiro bom é aquele que tem poder multiplicador. Se não for assim, o impacto na economia é baixo e não muda o quadro recessivo”.

Para Pedro Afonso, o certo seria se atender ao binômio consumo-emprego. Ele diz: “O valor isolado de R$ 500,00 tem baixo impacto. Mas seria diferente se estivesse vinculado a atividades produtivas. Por exemplo, um pequeno empreendedor comprar insumos para sua atividade. Isso ajudaria a multiplicar o dinheiro, gerando trabalho e empregos”. Ou, diz ainda, vincular parte dos R$ 500,00 à compra de material de construção.

O economista considera que R$ 30 bilhões, se aplicados ao consumo, ajudariam a aquecer setores da economia. Mas Pedro Afonso receia que parte seja destinada ao pagamento de dívidas aos bancos. “Se isso ocorrer, como parece, teremos apenas transferência de renda do trabalhador para instituições financeiras”, ele alerta.

Para o sindicalista, a liberação tem mais jeito de “operação tapa-buracos”. Pedro Afonso Gomes explica: “O governo visa, com esses R$ 500,00, recompor parte do poder de compra perdida nos salários. Essas perdas decorrem do desemprego e também do achatamento salarial das categorias, que não estão conseguindo, nas negociações, repor as perdas inflacionárias”.

Fonte: Agência Sindical