Para centrais sindicais, reforma da Previdência ameaça direito a aposentadoria


As centrais sindicais fecharam nesta quinta-feira (8) posiío contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo federal. Para as entidades, as mudanças ameaçam o direito í  aposentadoria e as garantias da seguridade social.

“Toda a proposta é inaceitável”, enfatizou o secretário-geral da Central íšnica dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, após a reunião dos dirigentes das centrais. “Na visão da CUT, nós estamos caminhando para um período pré-Getúlio Vargas, quando você não tinha absolutamente nada”, acrescentou.

A CSP Conlutas também se posicionou duramente contra o texto enviado í  Câmara dos Deputados. “í‰ um grande ataque sobre os trabalhadores. í‰ uma reforma que na verdade quer acabar com a aposentadoria”, criticou o secretário nacional da central, Luiz Carlos Prates, conhecido como Mancha.

Idade mínima e tempo de contribuiío

O projeto estabelece a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem e tempo mínimo de contribuiío de 25 anos. No entanto, para obter o benefício em valor integral, o trabalhador precisará pagar por 49 anos.

Atualmente, as mulheres podem pedir a aposentadoria com 30 anos de contribuiío e os homens, após 35 anos de trabalho. Para receber o benefício integral, é preciso atingir a fórmula 85 (mulheres) e 95 (homens), que é a soma da idade e do tempo de contribuiío.

As regras propostas reduzem, na avaliaío do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as possibilidades de acesso aos benefícios previdenciários. “Os critérios que foram colocados de idade e tempo de contribuiío dificultam bastante a obter a pensão. E há uma reduío de valor, provavelmente, nas aposentadorias. Podemos ter até exclusão de uma grande parcela da populaío dos direitos previdenciários”, analisou o economista do Dieese, Clóvis Scherer.

Os que atuam em atividades com menor regulamentaío e remuneraío acabam, na opinião do economista, mais prejudicados. “Principalmente a parcela da populaío que tem empregos mais precários: maior rotatividade e informalidade vai ter dificuldade de contribuir e chegar a idade de aposentadoria com os requisitos exigidos. Existe um impacto grande nos trabalhadores rurais”, acrescentou.

“Morrer antes de aposentar”

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), defendeu que as centrais apresentem propostas de alteraío para os pontos considerados mais importantes pelas entidades. “As pessoas imaginam que não vão conseguir chegar aos 65 anos, poderão morrer antes de se aposentar”, ressaltou. “Uma outra questão importante é desvincular as pensões do salário mínimo. Isso vai permitir que, no futuro, viúvas e viúvos recebam menos do que um salário mínimo, coisa que para nós é inaceitável”, acrescentou.

Para o ano que vem, será feita, de acordo com Pereira, uma agenda conjunta das centrais para limitar o alcance das mudanças no sistema previdenciário. “Nós temos que começar o ano com o pé no acelerador, preparando as mobilizações, as manifestações e greves que vão acontecer. Negociaío e pressão”.

O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado, também disse que a central está se preparando para discutir a reforma durante a tramitaío do projeto. “A UGT vai se preparar para o debate no âmbito do Congresso Nacional, para fazer as reformas pontuais que podem ser negociadas”, destacou.

Fonte: Portal EBC