Conselheiros defendem medidas “amargas” para retomar crescimento


Na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) do governo do presidente Michel Temer, nesta segunda-feira(21), no Palácio do Planalto, os conselheiros defenderam medidas para a retomada da economia e do crescimento do país.

O empresário do setor de comunicaío Nizan Guanaes sugeriu ao presidente Temer que o governo tome as medidas necessárias, mesmo que “impopulares” e “amargas”, e use a publicidade para fazer com que a populaío entenda a necessidade das mudanças.

“Aproveite já que o governo ainda não tem índices de popularidade alta e faça coisas impopulares que serão necessárias e que vão desenhar esse governo para os próximos anos. Tome medidas amargas, esse é o grande desafio das democracias”, disse Guanaes.

Ele defendeu ainda uma reforma trabalhista com leis mais competitivas. “Precisamos de reformas para o país e nós, empresários, precisamos de leis competitivas para nossas empresas. Não temos como competir [no mercado] com essa carga fiscal e essas leis [trabalhistas] defasadas.”

A reunião teve a presença do presidente Michel Temer e dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Fazenda, Henrique Meirelles, que fez uma apresentaío com dados sobre as contas públicas do país.

Desburocratizaío

O ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Político e Social da Associaío Comercial de São Paulo, Germano Rigotto, falou em “desafios imensos” para o governo de Temer e defendeu que esse seja o governo das reformas. Ele citou a reforma da Previdência e a tributária. “Sabemos que os desafios serão imensos nos próximos meses. A tarefa será ser, sim, o governo das reformas, e reforma que passa não apenas pela Previdência, pela reforma fiscal e processo de desburocratizaío.”

A presidente da rede de lojas Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, pediu ao presidente e aos ministros medidas que reduzam a burocracia para simplificar a atividade empresarial e reduzir custos. “Queria colocar um foco muito grande em simplificar o Brasil. Tem empresas que têm 10% de custo. Só através da sociedade é que vamos conseguir fazer essas mudanças.”

O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antônio Neto, receia uma reforma da Previdência feita de forma “açodada”. Ele propõe que a reforma ocorra depois de muita discussão e de forma tranquila. “Estamos í  disposiío para discuti-la. Acreditamos que tem algumas coisas mais rápidas e muito difíceis que precisam ser feitas como o novo pacto federativo. A reforma tributária, [há] quase 20 anos [está] se tentando e não se consegue fazer”, disse.

O empresário Abílio Diniz defendeu a Proposta de Emenda í  Constituiío (PEC) dos Gastos Públicos enviada ao Congresso Nacional pelo Executivo. “A PEC dos Gastos é fundamental para o país. Há muita liquidez no mundo, e os investidores querem investir no Brasil”. Ele também sugeriu a unificaío do Imposto sobre Circulaío de Mercadorias e Serviços (ICMS) para acabar com a “guerra fiscal”. “Temos de nos comprometer com o senhor, os ministros e o país. A sociedade civil vai ajudar”, disse Diniz, dirigindo-se ao presidente Michel Temer.

Ao chegar ao Palácio do Planalto para a reunião, o técnico da seleío masculina de vôlei, Bernardinho, que passou a integrar o Conselhão, disse que veio entender de que forma a interdiciplinaridade do esporte pode contribuir para melhorar o país, em especial nas áreas de educaío e saúde e, em longo prazo, na segurança. “O desenvolvimento econômico e social tem a ver com o esporte, até pela fidelizaío que o esporte promove para essas áreas, uma vez que desperta o interesse das pessoas, possibilitando uma transformaío de valores. Educar é transformar valores, e o esporte faz com que isso aconteça.”

O Conselhão voltou a se reunir hoje com renovaío de 67% dos membros. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que a nova formaío do colegiado busca dar espaço a todos os segmentos da sociedade. A reunião foi a primeira do governo Michel Temer e teve como tema a retomada do crescimento econômico.

Fonte: Agência Brasil