CNS pede ao Senado rejeiío da PEC 143/2015, que prorroga a DRU e coloca em risco o SUS

Conselho Nacional de Saúde (CNS) enviou nesta terça-feira (26) documento ao Senado Federal onde evidencia a importância da rejeiío em segundo turno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 143/2015.

A matéria permite aos Estados, Distrito Federal e Municípios aplicarem em outras despesas parte dos recursos hoje vinculados a áreas específicas como saúde e educaío. Ou seja, estende a esses entes federativos o mecanismo já adotado pelo governo federal, por meio da Desvinculaío de Receitas da União (DRU).

Assim, poderão retirar das vinculações obrigatórias 25% da arrecadaío de impostos e demais receitas. Essas vinculações obrigatórias foram criadas a partir da Constituiío de 1988 e beneficiam alguns órgãos, fundos ou categorias de despesas.

Origem da PEC
Apresentada pelo Senador Romero Jucá (PMDB-RR), a PEC 143 altera os artigos 76, 101 e 102 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que tratam da desvinculaío das receitas de 25% da arrecadaío da União de impostos, contribuições sociais e de intervenío no domínio econômico – Cide-combustíveis, já instituídos ou que vierem a ser criados nos próximos quatro anos. O texto foi aprovado na forma de substitutivo na Comissão de Constituiío, Justiça e Cidadania e em primeiro turno em plenário do Senado.

O substitutivo foi apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), que também incluiu na PEC a prorrogaío da DRU. O governo já havia encaminhado í  Câmara dos Deputados a PEC 87/15, com o mesmo propósito, mas desvinculando 30% das receitas. A proposta estabelece que a desvinculaío não reduzirá a base de cálculo das transferências municipais. Também exclui da desvinculaío a arrecadaío da contribuiío social do salário-educaío.

Ameaça ao SUS
“A aprovaío da PEC é um verdadeiro desmonte da responsabilidade do Estado para com a saúde pública. A situaío é crítica, visto o contexto do SUS, que é subfinanciado. Seu colapso pode afetar as condições e a qualidade da atenío í  saúde de 200 milhões de brasileiros. Na prática, o direito social í  saúde está ameaçado. Nossa esperança é a aprovaío de outra PEC, a 1/2015, em segundo turno, para que os recursos para a saúde possam melhorar ao longo dos anos, avalia o presidente do Conselho nacional de Saúde e coordenador do movimento Saúde + 10, Ronald Ferreira.

“Vamos lutar pela rejeiío de mais esta proposta que vem prejudicar, ainda mais, os investimentos nas ações e serviços de saúde, com a prorrogaío da DRU e ampliaío da desvinculaío para estados e municípios. Não há como o SUS garantir efetivamente a assistência í  populaío, com os recursos sendo reduzidos a cada ano”, ressalta o presidente da Confederaío Nacional dos Trabalhadores em Saúde (CNTS), José Lião de Almeida, entidade filiada ao DIAP.

Texto original
A PEC 143 altera os artigos 76, 101 e 102 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que tratam da desvinculaío das receitas. O texto original da PEC previa a desvinculaío para os entes federativos até 2023.

Porém, como forma de acelerar a votaío da matéria, Jucá acatou sugestão do PSB para que a desvinculaío vigorasse em quatro anos, a partir da promulgaío da Emenda. Quando e se aprovada em segundo turno no Senado, a PEC será encaminhada í  Câmara dos Deputados. Com Agência Senado e CNS.

Aos Senadores e Senadoras,

O SUS não pode sofrer mais um golpe contra o financiamento

O Conselho Nacional de Saúde adverte aos Senadores e Senadoras da República a respeito do aprofundamento do processo de subfinanciamento do Sistema íšnico de Saúde (SUS) caso seja aprovada em segundo turno a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 143/2015. Isso porque aumentará a Desvinculaío da Receita da União (DRU) para 25% e criará a Desvinculaío da Receita dos Estados (DRE) e a Desvinculaío da Receita dos Municípios (DRM) também com alíquota de 25%.

Com isto, a receita que serve de base de cálculo para a apuraío da aplicaío mínima em ações e serviços públicos de saúde será reduzida para 3/4 do valor arrecadado pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, o que representará na prática uma reduío de recursos para realizaío de despesas, no contexto da já reduzida disponibilidade orçamentária e financeira para as áreas de saúde de todas as esferas de governo.

Em outros termos, diante do aumento dos casos de Dengue, vírus Zika, H1N1 e outras doenças relacionadas e diante dos cálculos feitos por especialistas de que a insuficiência orçamentária tem crescido desde 2014, atingindo neste ano a cifra superior a R$ 20 bilhões para manter o padrão de gastos de dois anos anteriores, o Senado Federal poderá deteriorar as condições materiais de atendimento de saúde í  populaío, pela reduío da capacidade de financiamento que já era insuficiente para o SUS constitucional.

Desta forma, está sendo desrespeitada a vontade popular expressa em mais de 2,2 milhões de assinaturas do Projeto de Lei de Iniciativa Popular por 10% das Receitas Correntes Brutas da União, hoje encampado na PEC 1/2015, votada em 1° turno na Câmara dos Deputados, que aumenta a aplicaío em saúde para um mínimo de 15% no 1° ano de vigência até atingir 19,4% a partir do 7° ano de vigência.

Cordialmente,

Ronald Santos

Presidente do Conselho Nacional de Saúde.

Fonte: DIAP