Comissão recebe em audiência pública denúncias de más práticas trabalhistas no Mc Donald’s

Sindicalistas e parlamentares do Brasil e do exterior fizeram nesta quinta-feira (20) inúmeras acusações de precarizaío das relações de trabalho í  Rede Mc Donald’s, tanto aqui quanto no resto do mundo, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Segundo a procuradora regional do Trabalho do Paraná Margaret Matos, a empresa faz da oferta do primeiro emprego um chamariz para, na verdade, explorar mão de obra a baixo custo com uma atividade que lesiona, é mal remunerada, não qualifica, tem alta rotatividade, aliena seus empregados da proteío sindical e abusa dos jovens, principalmente os mais carentes.

A realidade, conforme a procuradora, contrasta com a imagem de uma companhia que chegou ao Brasil na década de 1980 com a promessa de inclusão de jovens no mercado de trabalho, sendo marcada pelo sofrimento e pelas más condições de trabalho impostos no país a mais de 40 mil empregados.

– Estamos falando de uma empresa que explora quase 30 mil adolescentes no país, que não têm conhecimento de seus direitos. Não é í  toa que escolhem adolescentes de baixa renda e pouca escolaridade, é uma estratégia de exploraío para o enriquecimento – disse Margaret Matos.

Além da exploraío da mão de obra juvenil, como citou a procuradora, outras denúncias a sindicatos e ações judiciais no país inteiro demonstram infrações trabalhistas como pagamento de salários abaixo do salário mínimo nacional, irregularidades na jornada de trabalho, como a não realizaío dos intervalos de descanso, o acúmulo de funções não remuneradas e a dificuldade de comprovaío de realizaío de horas extras.

Como se não bastassem os prejuízos trabalhistas, completaram participantes da audiência pública, a proteío í  saúde é transgredida, expondo os funcionários a chapas e óleos quentes e a produtos de limpeza tóxicos. Também foram mencionados problemas sanitários, já que os trabalhadores se revezam na manipulaío de alimentos e na limpeza de banheiros e do chão.

Moacyr Tesch, presidente da Confederaío Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh) e quem propôs a realizaío da audiência ao presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), revelou que a empresa troca todo o seu corpo de funcionários a cada ano, com uma taxa de rotatividade de 104%. Para ele, isso demonstra como as condições de trabalho ofertadas pela rede são massacrantes.

Francisco Calasans, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de São Paulo (Sintoresp), e Maximiliano Garcez, da Associaío Latino-Americana de Advogados Laboralistas (Alal), denunciaram práticas antissindicais impostas pela rede de lanchonetes. Segundo Calasans, a empresa conseguiu até mesmo estimular a criaío de um sindicato para o setor, mas que sofre sua influência e enfraquece os trabalhadores.

Fonte: Agência Senado